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Entrevista com uma CEO mostra que o Dia Internacional da Mulher vale ser celebrado

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Dia Internacional da Mulher

Paula Fernandes, CEO da TCL, conta sobre sua experiência no mercado financeiro

 

Dia 8 de março é celebrado o Dia Internacional da Mulher. A data é uma representação da luta por direitos iguais entre homens e mulheres e foi oficializada pela ONU em 1975.

O mesmo ano também foi oficializado, pelas Nações Unidas, como o Ano Internacional da Mulher, para lembrar de suas conquistas políticas e sociais.

E de 1975 para 2019 muita coisa mudou. A cada dia, as mulheres estão mais próximas do grande objetivo: direitos igualitários.

Hoje já existe maior representatividade, leis que protegem as mulheres, cargos altos e de chefia. E mesmo que ainda falte muito para que a igualdade de gênero seja completa, tem muita gente ao redor do mundo mudando essa situação. Pode ser um desafio diário, para mulheres e homens, mas vale a pena!

E para homenagear a data, convidamos a CEO da TCL, Paula Fernandes Fabeni, para contar um pouco mais sobre sua visão sobre mulheres dentro do mercado de trabalho.

Dia Internacional da Mulher

TCL: Como você vê a aceitação do mercado financeiro com a entrada de mulheres em cargos altos?

Paula Fernandes: Afirmações como essa “Lugar de mulher é no fogão”, estão caindo por terra, derrubando uma cultura de décadas na qual se fala que o homem é quem tem que sair para trabalhar e prover a família.

Atualmente, o universo corporativo foi invadido pelas mulheres, que ganham destaque trabalhando em áreas onde a predominância é totalmente masculina, como é o caso do mercado financeiro.

O mercado financeiro virou um tema atraente para as mulheres, que hoje respondem por mais de 46% da população ativa no Brasil.

Ter uma profissional feminina presente na mesa de operação da bolsa de valores era algo inimaginável há alguns anos. Hoje, elas mostram sua força e contam com a tecnologia para se impor em um ambiente onde antigamente era marcado por gritos e gestos nervosos de homens em busca dos melhores resultados nas aplicações.

Nós, mulheres, temos algumas características que favorecem a atuação no mercado financeiro, que hoje envolve muito mais do que bancos de investimentos.

Somos mais analíticas, menos explosivas, temos maior capacidade de solução de conflitos e de aglutinar decisões. A intuição também é algo que nos coloca em pé de igualdade com os homens.

Isso é algo que não tem nada a ver com conhecimento intelectual. É uma particularidade que é um ponto forte das mulheres desde o estado primitivo da humanidade.

TCL: Ser mulher e CEO: quais as vantagens e desvantagens?

Dia Internacional da MulherPaula Fernandes: Acredito que não é possível romantizar e nem demonizar o cargo, seja ele CEO, ou qualquer outro.

Em alguns casos, as mulheres têm de trabalhar muito mais para conquistar credibilidade e fazer as pessoas ouvirem o que você diz. Sem mencionar como é penoso recrutar desenvolvedores (uma carreira majoritariamente masculina) e fazê-los confiar em você. Ou, simplesmente conseguir que, numa reunião de vendas, as pessoas se interessem mais pelo produto ou serviço, do que por você.

Como CEO é preciso compartilhar a minha visão para poder encantar, confiar no time e deixar que façam seu trabalho.

Mas sempre vem a dúvida de como garantir que tudo sairá bem feito, com comprometimento e excelência? Impossível, não há fórmula mágica, mas existe um facilitador poderoso que ajuda muito, o diálogo. A clareza com os colaboradores é uma grande diferença para criar um time engajado e apaixonado.

Mas, por fim e sem dúvida, o que é que um fator gerador imenso de prazer é o quanto a empresa acaba tendo a nossa cara. Se isso é um ônus ou um bônus, não sei, acredito que vai depender do dia.

É algo bem imprevisível, mas quando nossa equipe gera uma solução que sana a dor do cliente, o orgulho é tanto que parece que vamos explodir. Rs… E quando isso não acontece, o CEO precisa ser resiliente e direto, assumindo os erros e as posturas necessárias com a equipe.

É demonstrando equilíbrio e inteligência que provamos que todos estão em boas mãos.

TCL: Quais os maiores desafios de ser uma CEO?

Paula Fernandes: Os desafios de quem estava à frente de uma empresa há 10 anos não são mais os mesmos que instigam os líderes de hoje. A dinâmica do mercado exige que as empresas se adaptem não só quando o assunto é cliente, mas também processo. Hoje, o CEO precisa se conectar com todos os setores para poder tomar decisões mais assertivas.

A estratégia, por si só, já é um dos desafios enfrentados. Isso porque, para definir um planejamento competitivo, muitos fatores devem ser levados em consideração, como economia, concorrência, sustentabilidade, escalabilidade e, outras questões relevantes para a execução da estratégia.

Não existe uma fórmula para definir qual o melhor caminho. Aliás, se existisse, diria que é a velha e boa tentativa e erro. Claro que não podemos nos dar ao luxo de cometer muitos ou grandes erros, para aprendermos. Mas fazer testes em pequena escala para avaliar saídas viáveis é muito útil. Assim, reunir um grupo de potenciais clientes e validar uma solução para necessidades elencadas por eles, pode ajudar a definir uma nova tática de mercado ou mostrar que o melhor caminho é outro. Outro ponto é ouvir e estar acessível para seus colaboradores.

Ser inovador é essencial para um CEO. É preciso antecipar tendências e se renovar constantemente. Pequenas empresas concorrem com grandes e a vantagem é de quem é mais disruptivo. Para inovar com precisão, a melhor opção é estar conectado com os clientes; deles virá a informação mais preciosa para quem quer oferecer soluções cada vez melhores.

O segredo para equilibrar todas essas funções e ultrapassar os desafios de gerir uma empresa é focar na sustentabilidade. As ações balanceadas não pecam pela falta nem pelo excesso, e conseguem manter a sintonia necessária para uma companhia crescer de forma saudável para o mercado, para as pessoas que a formam e para quem as lidera.

TCL: Liderar equipe de homens: mais fácil do que parece?

Dia Internacional da MulherPaula Fernandes: O jeitinho feminino de liderar ajuda em muitos pontos, mas ainda acredito que para sermos líderes melhores precisamos conhecer e valorizar as características de cada gênero, só assim vamos ter resultados mais positivos no mundo corporativo e até na vida pessoal.

A mulher, na visão do homem, muitas vezes, quando atua como líder – assumindo responsabilidades, tomando decisões e direcionando sua equipe – tende a ser vista como excessivamente agressiva, teimosa ou mandona.

Quando se aprofunda um pouco o olhar, é possível perceber que mulheres líderes buscam por respeito e reconhecimento e não para serem vistas como a estrela do show.

E o comportamento de assumir responsabilidades e decisões é mais condizente com uma pessoa que deseja abrir espaço para que outros brilhem, do que com alguém que aspira dominar e mandar.

TCL: Qual sua opinião sobre movimentos de empoderamento feminino e igualdade salarial?

Paula Fernandes: É uma revolução que tem é, cada vez mais, tema de discussões. Mas na minha visão, a igualdade é mais importante do que o empoderamento, pois homens e mulheres se somam em todas as áreas da vida e em qualquer relacionamento.

Às vezes, caio na armadilha de pensar que a questão do empoderamento feminino e igualdade entre homens e mulheres no ambiente do trabalho é algo praticamente superado. Digo que é uma armadilha porque vivo uma rotina do trabalho na qual essa desigualdade é praticamente inexiste.

Mas consigo perceber que talvez meu círculo profissional e social seja a exceção. A realidade dentro da sociedade e no mercado de trabalho em geral ainda é muito dura e injusta com as mulheres.

Mas por outro lado os avanços na igualdade de gênero permitem cada vez mais um maior poder de voz feminina, e temos sempre que usar isso a nosso favor.

TCL:  Em sua opinião, há espaço para mulheres com cargos de liderança dentro do mercado financeiro?

Dia Internacional da MulherPaula Fernandes: Bom, apesar do crescimento de mulheres no mercado financeiro, ingressar no mercado e construir uma carreira de sucesso implica em vários desafios para nós mulheres, incluindo encarar o preconceito, que ainda está presente em pleno 2019.

O julgamento é constante, a idade, o gênero e a capacidade profissional. Um descuido, por menor que seja, pode destruir a credibilidade construída durante anos, seja por uma simples frase, mensagem ou um decote maior do que o normal.

Cargos em bancos de investimento, mercados de capitais e serviços financeiros, ou até mesmo em Fintechs, atualmente são ocupados por um grande número de profissionais do sexo feminino.

A influência feminina está crescendo cada vez mais em empresas de serviços financeiros, o que comprova que existe sim lugar para mulher nessas cadeiras.

Se mantiverem as taxas atuais de crescimento, de acordo com uma pesquisa mundial feita pela Women in Financial Services, os comitês executivos femininos atingirão 30% de participação até 2048.

TCL: Você acredita que mulheres têm visões diferentes das dos homens (são mais detalhistas ou atenciosas etc)?

Paula Fernandes: Mulheres e homens são diferentes e é natural que possuam competências distintas. Ainda que interesse às empresas o quanto eles sejam bons em competências que geram resultados e eficácia, as mulheres, geralmente, são reconhecidas por competências de liderança mais sutis, tais como, desenvolver os outros, construir relacionamentos e colaboração, trabalho em equipe, o que se confirmou que para isso se usa muito de atenção.

Porém, por outro lado, as características em que as mulheres mais se sobressaem, pela facilidade e analisar os detalhes é de tomar a iniciativa, demonstrar integridade e honestidade e foco em resultados, competências nada sutis e com grande impacto nas empresas.

Ou seja, mulheres são vistas como mais eficientes em realizar coisas, ser bons exemplos e entregar resultados. Com competências assim, não deveriam restar dúvidas de podemos liderar quaisquer organizações rumo a seus objetivos, assim como os homens com suas características distintas.

Dia Internacional da Mulher

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1 ideia sobre “Entrevista com uma CEO mostra que o Dia Internacional da Mulher vale ser celebrado

  1. Muito boa entrevista!

    Parabéns a todas as mulheres que lutam, dia a dia, para construir os sonhos e superar os desafios!

    Vocês são inspiradoras!

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